Quando Cristo é o Centro, o Amor Encontra seu Verdadeiro Propósito

 


Quem amadurece na vida com Deus aprende que ninguém neste mundo pode ocupar o lugar que pertence somente ao Senhor. Enquanto essa verdade não é compreendida, as pessoas entram em relacionamentos tentando preencher vazios que não foram feitos para serem preenchidos senão por Deus. E quando isso acontece, o relacionamento deixa de ser um encontro de propósitos e passa a ser um campo de expectativas impossíveis.

A Bíblia já revelou essa realidade de forma clara quando declara: “Ó Deus, tu és o meu Deus; de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água” (Salmos 63:1). O salmista não diz que sua alma tem sede de alguém, mas de Deus. Existe dentro do ser humano uma sede espiritual que nenhuma presença humana consegue saciar completamente. Quando tentamos resolver essa sede através de pessoas, inevitavelmente colocamos sobre elas um peso que elas nunca foram chamadas a carregar. É como alguém que sente sede no deserto e tenta beber areia. Quanto mais tenta, mais seco fica. Da mesma forma, quando duas pessoas se unem apenas para suprir suas próprias faltas emocionais, cada uma começa a exigir da outra aquilo que somente a graça de Deus pode oferecer: plena satisfação, segurança absoluta, aceitação perfeita. E ninguém consegue entregar isso. O resultado é frustração, cobrança e desgaste.

Muitos relacionamentos fracassam exatamente nesse ponto. Não porque não exista amor, mas porque existe expectativa demais no lugar errado. Um espera que o outro cure suas feridas, preencha seus vazios, resolva suas inseguranças e garanta sua felicidade. Porém a Palavra de Deus nos lembra que o coração humano não foi projetado para ser sustentado por outro coração humano. “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!” (Jeremias 17:5). Isso não significa que Deus não use pessoas para nos abençoar. Significa apenas que nenhuma pessoa pode substituir Deus. Quando alguém tenta ocupar esse lugar, o relacionamento se torna uma idolatria emocional disfarçada de amor.

Mas algo completamente diferente acontece quando duas pessoas caminham verdadeiramente com Deus. Nesse caso, elas não se aproximam movidas pela carência, mas pelo propósito. Elas já aprenderam a buscar em Deus aquilo que suas almas necessitam. Já descobriram que “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos 46:1). Então, quando se encontram, não estão tentando se salvar mutuamente, mas caminhando juntas em direção Àquele que já as salvou.

Nesse tipo de relacionamento, o outro não é um salvador, mas um companheiro de jornada. Não é alguém que substitui Cristo, mas alguém com quem se aprende a amar Cristo ainda mais. A presença do outro não ocupa o trono do coração, porque esse trono já tem dono. É como dois viajantes que seguem pela mesma estrada rumo ao mesmo destino. Eles caminham juntos, se ajudam, compartilham o peso da jornada, mas nenhum deles é o destino do outro. O destino é o Senhor.

Quando um relacionamento nasce nesse ambiente espiritual, as perguntas mudam completamente. Em vez de perguntar quem vai suprir minhas necessidades, a pergunta passa a ser outra: como podemos juntos viver aquilo que Deus nos chamou para viver? Como podemos servir melhor a Cristo? Como podemos refletir o evangelho através da nossa união? E quando essa mudança acontece, o amor também muda de natureza. Ele deixa de ser dependência emocional e se transforma em aliança espiritual. Deixa de ser uma tentativa de sobrevivência afetiva e passa a ser cooperação na missão de Deus.

“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho” (Eclesiastes 4:9. O texto não diz que dois são melhores porque um completa o vazio do outro. Diz que são melhores porque trabalham juntos, caminham juntos, cumprem algo juntos.

Relacionamentos maduros nascem quando duas pessoas já aprenderam, antes de tudo, a depender de Deus. Quando isso acontece, a relação deixa de ser um lugar de cobrança e se torna um espaço de graça. Deixa de ser um lugar de pressão e se torna um ambiente de crescimento espiritual. Quando Cristo é o centro, todas as outras coisas encontram o seu devido lugar. Quando o coração está cheio de Deus, ele não usa pessoas para tapar buracos emocionais. Ele ama pessoas para glorificar a Deus.

E talvez aqui esteja uma das marcas mais claras da maturidade espiritual. Quem amadureceu na vida com Deus não se relaciona mais por carência. Relaciona-se por propósito. Porque já descobriu que somente Cristo pode sustentar a alma, mas muitas vezes Ele escolhe colocar pessoas ao nosso lado para caminhar conosco na missão.

Pr. Rodrigo Deiró


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