Sofrer, mas seguir

 



"Prefiro continuar no caminho ainda que com dor,
do que voltar para onde eu sei que não há vida"

(O Peregrino - John Bunyan)

Esta frase ecoa como um grito silencioso na alma de quem já entendeu o valor do caminho com Deus. É uma decisão espiritual forjada no confronto entre a carne e o Espírito.

A Palavra de Deus declara em Mateus 7:14 que estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem. Isso já nos alerta que seguir a Cristo não é confortável, não é largo e não é fácil. É um caminho onde muitas vezes os pés sangram, mas a alma vive. É um caminho onde o exterior pode estar em luta, mas o interior está sendo transformado pela glória de Deus.

Haverá momentos em que o coração vai doer. Não é teoria, é realidade. É quando Deus começa a tratar aquilo que escondemos, confrontando nossos desejos, quebrando nossos ídolos e nos chama para um nível mais profundo de entrega. E esse processo não é leve. Em Lucas 9:23 está escrito que, se alguém quer vir após Cristo, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-o. Cruz não é símbolo de conforto, é símbolo de morte. Morte do ego, da vontade própria, do orgulho que insiste em governar.

O problema é que, nesses momentos de dor, a velha vida começa a parecer atraente de novo. O passado começa a ser romantizado. O pecado começa a sussurrar como se fosse refúgio. Mas isso é engano. Porque quem já provou a graça não consegue mais viver satisfeito na mentira. Hebreus 11:15 diz que, se aqueles homens lembrassem da terra de onde haviam saído, teriam oportunidade de voltar. Mas eles não voltaram, porque entenderam que havia algo maior diante deles.

Voltar nunca será uma opção saudável para quem já encontrou Cristo. Pode até acontecer, mas nunca será sem vazio, sem culpa, sem morte interior. Porque a alma que já foi tocada por Deus não se adapta mais ao pecado como antes. Aquilo que antes parecia prazer agora pesa. Aquilo que antes parecia liberdade agora aprisiona.

Seguir em frente, mesmo com dor, é um ato de fé. É dizer para Deus que, ainda que o caminho esteja difícil, é aqui que está a vida. É como um viajante no deserto que, mesmo cansado, continua andando porque sabe que parar significa morrer. É como um doente em tratamento que suporta o processo porque sabe que a cura está no fim da jornada.

Jesus nunca enganou ninguém. Em João 16:33, Ele disse que no mundo teríamos aflições, mas também afirmou que Ele vencera o mundo. Isso muda tudo. Porque a dor do caminho não é o fim da história. A cruz não termina em morte, termina em ressurreição. Seguir Jesus pode custar tudo, mas voltar custa a alma. Em Marcos 8:36 está escrito que de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma. Não existe troca justa quando a eternidade está em jogo.

Então, mesmo que hoje seus olhos estejam cheios de lágrimas e seus passos estejam pesados, continue. Mesmo que ninguém veja sua luta, continue. Mesmo que a vontade de desistir sussurre, continue. Porque é melhor caminhar com dor na presença de Deus do que descansar em um lugar onde Ele não está.

Quem encontrou a vida em Cristo pode até chorar no caminho, mas não negocia o destino.

Pr. Rodrigo Deiró

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