Além da aparência
Muitos que caminham na fé
permitem que se instale no coração uma perigosa ilusão: a de que é possível
sustentar uma aparência diante dos homens enquanto se vive outra realidade
diante de Deus. É o engano de vestir pele de cordeiro por fora, enquanto por
dentro ainda se alimenta instintos de lobo. Isso não é apenas incoerência, é
autoengano espiritual. Porque o Deus que chama não é o mesmo que se deixa
enganar.
A Palavra diz em Mateus
15:8 que este povo honra com os lábios, mas o coração está longe. Isso revela
um abismo entre aquilo que se fala e aquilo que se vive. E Deus não trabalha
com discursos, Ele trabalha com verdade. O que acontece no secreto tem mais
peso do que qualquer manifestação pública. A oração que impressiona pessoas
pode não tocar o céu se for vazia de sinceridade. A obediência que nasce da
pressão ou da aparência não é obediência, é atuação. E atuação não transforma
ninguém.
Ser ovelha não é um papel
que se assume em determinados ambientes, é uma natureza que se recebe quando se
decide morrer para si mesmo. É quando a vontade própria deixa de governar e o
Pastor passa a conduzir. É fácil parecer espiritual quando todos estão olhando,
quando há música, ambiente e expectativa. Difícil é permanecer fiel quando
ninguém vê, quando não há aplauso, quando não há reconhecimento. É nesse lugar
oculto que a fé se prova de verdade.
Há quem construa uma
reputação impecável diante dos homens, mas vive em ruínas diante de Deus. Como
uma casa com fachada bonita, mas com a estrutura comprometida, pronta para
desabar ao menor abalo. O evangelho não veio para maquiar rachaduras, veio para
restaurar fundamentos. Não se trata de parecer santo, mas de ser transformado.
Não se trata de sustentar uma imagem, mas de viver arrependimento genuíno.
Jesus foi claro ao dizer
em Mateus 7:16 que pelas obras seriam conhecidos. Não são as palavras, nem os
títulos, nem o tempo de caminhada que revelam quem alguém é. São as escolhas
diárias, são as atitudes no oculto, são as decisões quando ninguém está assistindo.
A vida sempre denuncia a verdade que a boca tenta esconder.
O problema é que muitos
querem os benefícios do rebanho sem se submeter ao Pastor. Querem proteção,
querem promessa, querem cuidado, mas não querem renunciar à própria natureza. E
isso é impossível. Não existe meio-termo no Reino. Ou se é guiado por Cristo,
ou se é guiado pelos próprios desejos. Ou se vive para Deus, ou se vive para si
mesmo com uma capa religiosa.
Examine-se com
honestidade. Não à luz daquilo que os outros veem, mas à luz daquilo que Deus
conhece. Porque no fim, não será a performance apresentada aos homens que será
considerada, mas a verdade vivida diante do céu. Deus não procura aparência,
Ele procura um coração rendido. E um coração rendido não negocia com o pecado,
não vive de fachada e não se esconde atrás de palavras bonitas.
O chamado hoje não é para melhorar a imagem, é para transformar a essência. É para abandonar o personagem e abraçar a cruz. É para sair da superficialidade e entrar na verdade. Porque somente quem é verdadeiramente transformado pode viver o evangelho de forma real. E somente quem vive de forma real pode ser, de fato, parte do rebanho do Bom Pastor.
Pr. Rodrigo Deiró



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