Cristo no centro de onde tudo começa, permanece e se cumpre

 



A ideia de que Cristo pode ser importante, mas não necessariamente o centro, torna-se uma ilusão perigosa que contamina a caminhada de muitos cristãos. É quando a fé se torna um acessório da vida, e não o eixo que sustenta tudo. Mas Romanos 11:36 corta essa ilusão pela raiz ao declarar: “Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém”. Não há espaço para negociação nesse texto. Ele não diz que algumas coisas são d’Ele. Diz que são todas.

Isso muda tudo. Se tudo vem d’Ele, então você não é a fonte. Se tudo acontece por meio d’Ele, então você não controla o processo. E se tudo é para Ele, então você não é o destino. Essa verdade confronta diretamente o ego, porque desmonta a ideia de que a vida gira ao nosso redor. Centralizar Cristo é a essência da fé.

Pense em uma roda. O eixo central sustenta todo o movimento. Se o eixo estiver desalinhado, toda a estrutura sofre, por mais bonita que pareça por fora. Assim é a vida cristã quando Cristo não está no centro. Pode haver aparência de espiritualidade, pode haver atividade religiosa, mas tudo gira de forma instável, desgastante e, no fim, vazio. Porque fomos criados para girar em torno d’Ele, não de nós mesmos.

Quando Paulo escreve em Gálatas 2:20 que “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”, ele não está fazendo poesia espiritual. Ele está descrevendo uma morte real. Não é sobre melhorar o eu, é sobre substituir o eu. Paulo entendeu algo que muitos ainda resistem em aceitar: enquanto eu estiver no centro, Cristo estará à margem. E enquanto Cristo estiver à margem, eu nunca experimentarei a plenitude para a qual fui chamado.

Centralizar Cristo é um ato diário de rendição. É olhar para as próprias vontades, desejos e planos e ter coragem de colocá-los no altar, não com tristeza, mas com confiança. É como um escultor que pega uma pedra bruta e começa a esculpir. Cada golpe parece perda, mas na verdade está revelando a forma que sempre esteve ali. Quando Deus amassa as nossas vontades, Ele não está destruindo nossa identidade, está revelando quem realmente somos nEle.

O problema é que queremos um Cristo que coopere com nossos planos, não um Senhor que governe nossa vida. Queremos que Ele abençoe nossos caminhos, mas resistimos quando Ele quer mudar a direção. Só que o evangelho não é sobre Deus se alinhar conosco, é sobre nós nos alinharmos com Ele. E esse alinhamento exige renúncia.

Mas, quando Cristo se torna o centro, tudo encontra sentido. As conexões passam a ter propósito, porque são por meio d’Ele. As lutas deixam de ser apenas sofrimento, porque fazem parte do processo d’Ele. E o destino final deixa de ser incerto, porque tudo converge para Ele. A vida deixa de ser fragmentada e passa a ser coerente, alinhada, viva.

Paulo chegou a um ponto em que pôde dizer que já não era ele quem vivia. Isso não é perda, é libertação. É sair do peso de ter que sustentar a própria vida e descansar no fato de que tudo começa, continua e termina em Cristo. É entender que quando Ele ocupa o centro, nada fica fora do lugar.

Então a pergunta não é se Cristo faz parte da sua vida. A pergunta é se Ele é o centro dela. Porque enquanto Ele não for o início, o meio e o fim, você ainda estará tentando viver uma vida que nunca foi projetada para girar em torno de você. E só quando você desaparecer do centro é que finalmente encontrará o verdadeiro propósito de existir.

Pr. Rodrigo Deiró

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