Identidade em Cristo
Quando a água toca o seu
rosto, não é apenas o corpo sendo despertado, é um lembrete, ainda que sutil,
de uma realidade eterna que muitos esquecem de viver. Você já morreu. Não
fisicamente, mas espiritualmente para este mundo. E se morreu, também ressuscitou.
“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que,
como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim
andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6:4).
O batismo não foi um
ritual simbólico vazio. Foi um sepultamento real daquilo que você era. Foi o
dia em que sua velha natureza, dominada pelo pecado, pelos desejos desordenados
e pela autonomia rebelde, foi colocada na sepultura. E não se volta para um túmulo
para buscar aquilo que já morreu. Ainda assim, muitos vivem como se pudessem
revisitar o que foi enterrado, como se fosse possível negociar com hábitos,
pensamentos e atitudes que já deveriam estar mortos.
A nova vida que você
recebeu não é uma emoção passageira que depende do ambiente, da música ou de um
momento espiritual intenso. É uma decisão diária, firme e consciente. É acordar
e escolher viver como alguém que foi comprado por alto preço: “Porque
fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no
vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Coríntios 6:20). Isso
muda tudo. Seus pensamentos já não são livres para vagar em qualquer direção.
Seus olhos já não são livres para contemplar qualquer coisa. Seus passos já não
caminham conforme a vontade própria, mas conforme a direção d’Aquele que agora
é o Senhor da sua vida.
Imagine alguém que recebe
um novo nome, uma nova identidade, uma nova família, mas insiste em viver como
se nada tivesse mudado. Há uma incoerência gritante nisso. É exatamente assim
quando alguém foi batizado, mas continua vivendo segundo os padrões antigos.
Não se trata de perfeição, mas de direção. Não se trata de nunca falhar, mas de
não se conformar com o erro. Quem entende quem se tornou, não se sente
confortável vivendo como quem já foi.
A água que escorre pelo
seu rosto desaparece em segundos. Ela refresca, limpa superficialmente, mas
logo seca. A graça que lavou sua alma, porém, não evapora. Ela permanece. Ela
transforma. Ela sustenta. A Bíblia declara em Tito 2:11-12 que a graça de Deus
não apenas salva, mas ensina a viver de forma sóbria, justa e piedosa. Ou seja,
essa graça não é uma desculpa para continuar no erro, mas uma força para viver
de maneira diferente.
Antes de sair para
enfrentar o dia, antes de responder mensagens, tomar decisões ou reagir às
pressões, existe uma pergunta que precisa ecoar dentro de você com sinceridade.
Minhas escolhas hoje refletem o batismo que eu carrego? Minhas atitudes apontam
para alguém que morreu para o mundo e vive para Deus, ou revelam alguém que
ainda está preso ao que deveria ter sido deixado para trás?
Porque quem realmente
compreende a profundidade dessa nova identidade não negocia com o pecado como
se fosse algo pequeno. Não trata como leve aquilo que custou o sangue de
Cristo. Há um senso de honra, de reverência, de compromisso. “Já estou
crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas
2:20). Isso não é poesia espiritual. É uma realidade que precisa ser vivida.
Você não é mais quem era. E continuar vivendo como antes é negar, na prática, aquilo que foi declarado no espírito. Lembre-se disso quando a tentação parecer pequena. Lembre-se quando o velho padrão quiser voltar. Lembre-se quando ninguém estiver olhando. Viva de acordo. Honre Aquele que te deu uma nova vida. Porque quem entende quem se tornou em Deus, não volta para aquilo que já foi enterrado.
Pr. Rodrigo Deiró


Amém
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