O valor que salva ou o preço que condena
Existe uma diferença
entre valor e preço, e essa diferença revela o
estado do coração. Para Jesus, Judas nunca foi apenas um discípulo na multidão.
Ele era escolhido, chamado pelo nome, alguém que caminhava de perto, que via
milagres e que ouvia palavras que anjos desejariam ouvir. Jesus lavou seus pés,
partiu o pão com ele e estendeu a mesma graça que estendia aos outros. Em
nenhum momento Judas foi tratado como descartável. Ele tinha valor.
Mas, para Judas, Jesus
não era um tesouro, mas uma oportunidade. E quando o coração enxerga o sagrado
como oportunidade, inevitavelmente começa a negociar aquilo que deveria adorar.
Judas não traiu Jesus de repente. A traição começou muito antes, quando ele
permitiu que algo dentro dele fosse mais importante do que a presença de
Cristo. Judas declara em Mateus 26:15: “Que me quereis dar, e eu vo-lo
entregarei?”. Essa frase não nasce em um momento isolado, ela é o
resultado de um coração que já vinha sendo corroído. E então combinaram com ele
trinta moedas de prata. O Filho de Deus foi reduzido a um valor de mercado.
Jesus continua tendo
valor absoluto, mas muitos ainda o tratam como Judas tratou. Não o vendem por
moedas de prata, mas o trocam por prazeres momentâneos, por status, por orgulho
ou por conveniência. É o mesmo princípio. Sempre que Cristo deixa de ser o
centro e passa a ser moeda de troca, o coração já começou a negociar o eterno
pelo passageiro.
Cada um oferece o que
carrega dentro de si. Jesus carregava amor, e por isso oferecia graça até a
quem O trairia. Judas carregava ganância, e por isso ofereceu traição mesmo
tendo recebido amor. O que você carrega determina o que você entrega. Uma fonte
não pode dar água doce e amarga ao mesmo tempo. Se dentro há rendição, sairá
fidelidade. Se dentro há ego, sairá negociação.
Imagine alguém segurando
um diamante verdadeiro, mas olhando para ele como se fosse vidro. O problema
não está no valor do diamante, mas na percepção de quem o segura. Judas esteve
diante do maior tesouro da história, mas o enxergou como algo trocável. E essa
é uma das maiores tragédias espirituais, estar perto de Jesus e ainda assim não
reconhecer quem Ele é.
O mais impressionante é
que, mesmo sabendo de tudo, Jesus não retirou o valor de Judas. Em João 13, Ele
ainda se inclina e lava seus pés. Isso é graça em sua forma mais escandalosa.
Jesus não ama baseado no que recebemos, mas no que Ele é. Porém, essa mesma
graça que alcança também expõe. Porque não basta estar perto de Jesus, é
preciso reconhecer o valor d’Ele acima de tudo.
A pergunta que fica não é sobre Judas, é sobre nós. Jesus tem valor para você ou apenas utilidade? Ele é Senhor ou recurso? É tesouro ou ferramenta? Porque no fim, todos fazem uma escolha silenciosa. Alguns se rendem e entregam tudo, outros calculam e colocam preço.
E quando alguém coloca preço em Jesus, na verdade está revelando que nunca entendeu o valor d’Ele.
Pr. Rodrigo Deiró



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