Presença que transforma
Há uma declaração em
Cânticos que não pode ser lida com pressa, porque ela não nasce da mente, nasce
de intimidade. “O meu amado é para mim um ramalhete de mirra” (Cantares
1:13) revela mais do que poesia, revela experiência. Não é alguém falando de
ouvir dizer, é alguém que provou, que sentiu, que carregou esse amor no mais
profundo do ser.
A mirra, naquele tempo,
não era algo comum. Era preciosa, cara, usada para curar, para preservar, para
ungir, mas também associada ao sofrimento e ao sacrifício. E é exatamente por
isso que essa comparação é tão forte. Cristo não é apenas belo, Ele é necessário.
Ele não é apenas agradável, Ele é essencial. Ele não é apenas perfume, Ele é
cura para aquilo que ninguém mais consegue tocar.
Quando o texto diz que
Ele é um ramalhete de mirra, não está falando de algo pequeno. Não é uma gota,
não é um detalhe, é abundância. Em Cristo há o suficiente para tudo o que você
precisa. Há graça para o cansado, direção para o perdido, consolo para o ferido,
correção para o desviado. O problema é que muitos vivem como se Ele fosse
pouco, quando na verdade nunca exploraram a plenitude que há nEle. Vivem na
superfície de um oceano que nunca se esgota.
E há variedade nesse
ramalhete. Ele é Profeta que fala, Sacerdote que intercede, Rei que governa,
Pastor que conduz, Amigo que permanece. Em Sua vida vemos pureza, em Sua morte
vemos amor sacrificial, na ressurreição vemos poder, e na promessa de Sua volta
vemos esperança. Não existe área da vida que Ele não alcance. Não existe dor
que Ele não compreenda. Não existe necessidade que Ele não possa suprir.
Mas a mirra não era
jogada de qualquer forma. Ela era guardada, protegida, valorizada. Isso
confronta a forma como muitos tratam Jesus hoje. Dizem que Ele é precioso, mas
O deixam cair no chão da rotina, da distração, da frieza espiritual. Não
guardam Suas palavras, não meditam em Seus ensinamentos, não zelam pela
comunhão. Aquilo que deveria estar no centro está sendo tratado como algo
comum.
Se Ele é o seu ramalhete
de mirra, então Ele precisa estar junto ao peito, como algo que você não solta.
Precisa estar nos seus pensamentos, nas suas decisões, na sua forma de viver. O
inimigo não precisa arrancar Cristo de você, basta te distrair até que você
mesmo deixe de valorizá-Lo. Por isso é necessário guardar, proteger, preservar.
O coração que não vigia perde aquilo que dizia amar.
E há algo ainda mais
profundo. Esse ramalhete fala de separação, de exclusividade. Nem todos
desfrutam desse perfume. Ele se revela àqueles que desejam proximidade, àqueles
que não se contentam com aparência, mas buscam relacionamento. Existe uma
diferença entre saber sobre Cristo e viver com Cristo. Entre falar dEle e andar
com Ele. Entre conhecer de ouvir e conhecer por intimidade.
Felizes são aqueles que
podem dizer com verdade que Ele é seu. Não por discurso, mas por experiência.
Não por tradição, mas por comunhão viva. Porque quando Cristo se torna esse
ramalhete na vida de alguém, tudo muda. A dor encontra cura, a alma encontra
descanso, e a vida ganha sentido.
Então não trate como comum Aquele que é precioso. Não deixe escapar Aquele que é tudo. Segure firme, valorize, aproxime-se. Porque quando Ele é para você um ramalhete de mirra, você descobre que nEle há mais do que o suficiente para hoje, para amanhã e para a eternidade.
Pr. Rodrigo Deiró



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