Propósito não se rouba

 



É preciso ter cuidado com uma ilusão perigosa que se disfarça de ambição. Ela faz pessoas brigarem por aquilo que nunca lhes pertenceu, como se a conquista externa pudesse preencher um vazio interno. A história de José revela isso com clareza. Seus irmãos não apenas o odiaram, eles desejaram aquilo que viram sobre ele. A túnica não era só um tecido colorido, era um sinal visível de algo invisível. Era o favor, a escolha, o propósito de Deus repousando sobre a vida de alguém. E aquilo despertou inveja em quem não entendeu que propósito não se transfere.

Eles arrancaram a túnica, mas não puderam arrancar o chamado. Pensaram que, ao tirar de José aquilo que o destacava, assumiriam o lugar dele. Só que o que vem de Deus não funciona assim. Pode até ser tomado por mãos erradas, mas não permanece nelas. Não encaixa. Não produz vida. Não faz sentido. Porque propósito não é uma posição que se ocupa, é uma identidade que se carrega.

Quantas vezes você já viu pessoas forçando portas, tentando sustentar uma imagem, disputando espaços que parecem desejáveis por fora, mas que por dentro são vazios. É como vestir uma roupa que não foi feita para você. Pode até impressionar de longe, mas quem usa sente o incômodo o tempo todo. Falta ajuste, falta leveza, falta verdade. E cedo ou tarde isso aparece.

A Palavra diz em Provérbios 19:21 que muitos são os planos no coração do homem, mas o desígnio do Senhor é o que permanece. Isso significa que não é a força da vontade humana que sustenta um destino, é a soberania de Deus que o estabelece. Quando algo não vem d’Ele, pode até começar com aparência de sucesso, mas não se sustenta. E quando vem d’Ele, pode até passar por processos difíceis, mas não se perde.

José foi lançado em uma cisterna, vendido como escravo, injustiçado, esquecido. Em nenhum momento pareceu que ele estava vivendo algo grandioso. Mas o que Deus colocou sobre a vida dele não dependia das circunstâncias para continuar existindo. O favor não ficou na casa do pai, não ficou na túnica, não ficou no passado. O favor foi com ele. Porque aquilo que é de Deus não está preso ao lugar, está ligado à pessoa.

E quando você entende isso, encontra libertação. Você para de se comparar, porque percebe que não está em competição. Você para de disputar, porque entende que não há substituição. Você para de olhar para o que é dos outros, porque reconhece que aquilo não foi desenhado para você. Cada vida carrega uma medida, um chamado, um propósito que não pode ser replicado.

O problema é que muitos ainda vivem olhando para fora, tentando encontrar validação no que não foi feito para eles. E isso gera frustração constante. Porque nunca será suficiente. Nunca será pleno. Nunca será verdadeiro. Efésios 2:10 declara que somos feitura de Deus, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Não são obras genéricas. São preparadas. Específicas. Direcionadas.

O que Deus tem para você não é negociável. Não é algo que pode ser trocado, copiado ou adaptado. Podem até tentar te calar, te diminuir, te tirar de lugares, mas ninguém pode viver aquilo que foi escrito com o teu nome. Porque propósito não é cenário, é essência. Não é aparência, é identidade.

Se é de Deus, vai encontrar você, mesmo quando tudo parecer contrário. Se é de Deus, vai permanecer em você, mesmo quando outros tentarem tirar. E se é de Deus, vai florescer no tempo certo, porque o tempo também pertence a Ele.

Confia nisso. Deus não erra destino. E aquilo que Ele escreveu sobre a sua vida não depende da aprovação de ninguém para se cumprir.

Pr. Rodrigo Deiró

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