A tenda que Deus desmonta
Existem momentos na
caminhada com Deus em que o que antes parecia lar começa a parecer apertado. O
ambiente que um dia trouxe segurança agora pesa. As conversas que antes
alimentavam, agora cansam. Os lugares que antes pareciam resposta, agora
parecem prisão. E, quase sempre, quando isso começa a acontecer, nossa primeira
reação é pensar que alguma coisa saiu do controle, que estamos esfriando, que
algo se perdeu no caminho. Mas, muitas vezes, não é perda. É transição. Não é
crise. É convocação.
Uma das coisas mais
difíceis para o ser humano é entender que Deus nem sempre melhora o lugar onde
estamos. Muitas vezes, Ele simplesmente nos chama para sair. Nós gostamos da
ideia de crescimento, desde que possamos crescer sem mudar. Gostamos da promessa
de um novo nível, desde que Deus preserve a estrutura antiga. Queremos
colheitas novas em terrenos antigos. Queremos vinho novo em odres velhos. Mas o
Reino de Deus não funciona assim.
A primeira palavra que
Deus libera sobre Abraão em Gênesis não foi “fica e eu vou melhorar sua terra”.
Foi: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua
parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei”. Não
havia mapa. Não havia garantia humana. Não havia explicações detalhadas. Havia
apenas uma voz e uma decisão. Porque fé não é andar baseado em evidências. Fé é
obedecer antes de entender.
Talvez seja exatamente
isso que está acontecendo com você. Deus começou a mexer nas estruturas que
você jurava serem permanentes. O que antes funcionava, já não funciona. O que
antes fazia sentido, já não preenche. O que antes parecia propósito, agora parece
peso. E sabe por quê? Porque Deus não arruma tendas quando chegou a hora de
construir altares.
Moisés passou quarenta
anos no deserto aprendendo a sobreviver, mas um dia o Deus que o treinou no
anonimato apareceu em uma sarça ardente e disse, em Êxodo 3:10: “Vem
agora, pois, e eu te enviarei a Faraó”. Em outras palavras, o lugar de
preparação não podia se tornar lugar de permanência. O deserto que te ensinou
não pode virar tua identidade.
Há pessoas tentando
restaurar relacionamentos que Deus encerrou. Tentando manter ciclos que o céu
já fechou. Tentando costurar estruturas que o próprio Deus começou a desmontar.
E isso gera exaustão, porque lutar para manter o que Deus decidiu mover é como
tentar segurar água com as mãos. Quanto mais força você faz, mais perde.
Os discípulos entenderam
isso quando ouviram Jesus dizendo: “Vinde após mim, e eu vos farei
pescadores de homens” (Mateus 4:19). E a Bíblia diz que eles, “deixando
logo as redes, seguiram-no” (Mateus 4:20). Eles não levaram as redes
para garantia. Não deixaram uma porta entreaberta. Não criaram um plano B.
Porque quem foi verdadeiramente chamado por Cristo entende que o futuro nunca
caberá nas estruturas do passado.
Escute isso com temor. O
desconforto que você sente pode não ser ataque. Pode ser direção. Pode ser o
céu, em amor, te dizendo que você já cresceu tudo o que podia nesse lugar. Pode
ser Deus desmontando aquilo que você chamava de estabilidade para te conduzir
àquilo que Ele chama de propósito.
“Eis que faço uma
coisa nova; agora sairá à luz; porventura não a percebeis?”.
Quando Deus fala isso em Isaías 43:19, Ele não está apenas anunciando novidade.
Ele está confrontando cegueiras. Porque, muitas vezes, a coisa nova já começou,
mas ainda estamos chorando pela tenda que Ele decidiu desmontar.
Se Deus está mexendo em tudo, não corra para reconstruir. Se Ele está encerrando ciclos, não force permanências. Se Ele está criando desconforto, não chame de abandono aquilo que pode ser promoção. Porque quando Deus diz “não é mais aqui”, pode ter certeza, Ele já está te esperando “lá na frente”.
Pr. Rodrigo Deiró


Comentários
Postar um comentário