Onde há unidade

 



“Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”
(Efésios 4:3)

Este versículo nos entrega uma responsabilidade espiritual. O texto não diz “criem” a unidade, mas “guardem” a unidade. Isso significa que a verdadeira unidade já nasceu no coração de Deus, mas cabe a nós protegê-la contra tudo aquilo que tenta rompê-la. O que destrói uma família raramente começa com grandes tragédias. Quase sempre começa com pequenas rachaduras ignoradas. Uma palavra dita sem cuidado. Um silêncio usado como punição. Um orgulho alimentado em segredo. Uma mágoa que ninguém resolve. O inimigo quase nunca derruba uma casa com explosões. Ele prefere trabalhar como cupim, em silêncio, corroendo por dentro aquilo que por fora ainda parece inteiro.

Uma família se parece com uma orquestra. Cada instrumento possui seu timbre, sua função, sua intensidade. O violino não compete com o piano. O contrabaixo não tenta soar como a flauta. Cada um carrega sua identidade, mas todos se submetem à mesma partitura. Quando um instrumento decide tocar para si, buscando ser ouvido acima dos outros, a música deixa de ser música e se transforma em ruído. Assim também acontece dentro de casa. O problema não são as diferenças. O problema nasce quando o ego fala mais alto que o propósito. Quando cada um quer ter razão, mas ninguém quer ter paz. Quando todos querem ser ouvidos, mas poucos querem ouvir. Quando todos cobram compreensão, mas quase ninguém está disposto a compreender.

“Ó quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união” (Salmos 133:1). Observe que o texto não diz apenas que é bom. Diz que é suave. Porque a unidade cria ambientes onde o coração pode descansar. Ambientes onde não se precisa viver armado, medindo palavras, temendo reações ou carregando pesos emocionais. Onde existe unidade, existe segurança. Existe pertencimento. Existe cura. Há casas bonitas por fora e adoecidas por dentro, porque perderam a unidade e substituíram comunhão por convivência. Moram juntos, mas não caminham juntos. Sentam à mesma mesa, mas já não compartilham a alma.

A Palavra também nos ensina em 1 Coríntios 12:12 que “o corpo é um e tem muitos membros”. Isso significa que Deus nunca projetou famílias feitas de cópias, mas de complementos. O problema é que pessoas imaturas tratam diferenças como ameaças, enquanto pessoas maduras enxergam diferenças como riqueza. O que você chama de defeito em alguém pode ser exatamente a ferramenta que Deus colocou para equilibrar sua casa. O que irrita você pode estar moldando você. O que confronta você pode estar amadurecendo você.

E quando o livro de Eclesiastes declara que “melhor é serem dois do que um... porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro” (Ec 4:9-10), Deus está mostrando que unidade não é estética, é sobrevivência. Casas divididas se tornam campos de batalha. Casas unidas se tornam refúgios. A pergunta não é se sua família enfrentará dias difíceis. A pergunta é se, quando esses dias chegarem, vocês estarão lutando uns contra os outros ou uns pelos outros.

Unidade exige compromisso diário. Exige pedir perdão antes que a ferida infeccione. Exige conversar antes que o silêncio se transforme em distância. Exige matar o orgulho antes que ele enterre relacionamentos vivos. Famílias fortes não são aquelas que nunca choram, nunca discordam ou nunca enfrentam crises. Famílias fortes são aquelas que decidiram que nenhum problema será maior que o propósito de permanecer juntos. Porque onde a unidade é guardada, Deus não apenas visita. Deus permanece.

Pr. Rodrigo Deiró

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