Cuidado com o falso profético
Não se deixe encantar por
aquilo que brilha aos olhos, mas por aquilo que resiste ao fogo. Há dons que
impressionam multidões, mas caráter aprovado é o que sustenta um verdadeiro
homem de Deus. Balaão profetizava com precisão, mas seu coração era torto e por
isso foi reprovado. O Espírito Santo não chama a igreja para buscar quem
impressiona pelo espetáculo, mas o Senhor nos chama a ouvir e seguir aqueles que,
como Paulo, pode dizer com consciência limpa: “Sede meus imitadores, como
também eu, de Cristo” (1 Coríntios 11:1). Quem você admira hoje? Quem ocupa o
seu ouvido e o seu coração? A pergunta não é “que dom essa pessoa tem?”,
mas “que vida essa pessoa vive quando o púlpito está vazio, quando as
câmeras estão desligadas, quando ninguém está vendo?”. O padrão não é a
performance, é a semelhança com Cristo. Não admire quem fala bonito, admire
quem vive o que prega.
Há uma geração que se
acostumou a confundir profundidade com criatividade de palco. Trocadilhos
bíblicos, frases de efeito, “revelações” cheias de jogo de palavras empolgam
plateias, mas muitas vezes não passam de fumaça sem fogo santo, de som sem
substância e que não edificam o espírito. Paulo chegou a Corinto, cidade
vaidosa, cheia de retórica, e decidiu pregar não com “excelência de
palavras ou de sabedoria humana”, mas com a simplicidade e a autoridade
da cruz de Cristo (1 Coríntios 2:1). O que edifica o corpo não é o malabarismo
textual, mas a exegese fiel, o ensino sólido, a exposição que honra o contexto,
que exalta Cristo e que dobra a vontade do homem diante da autoridade das
Escrituras. É tempo de se arrepender de ter tratado a Bíblia como palco para
criatividade humana, e voltar a tratá-la como trono da voz de Deus.
Se o seu coração é
sincero, invista tempo em ouvir aquilo que faz Cristo crescer diante dos seus
olhos. Encha seus ouvidos e sua mente com mensagens que desvendem a glória do
Filho de Deus, o mistério da Igreja, o escândalo da Cruz e a realidade do Reino.
As Escrituras declaram que o testemunho de Jesus é o espírito de profecia (Apocalipse
19:10); se uma profecia, uma mensagem, uma ministração não desemboca em Cristo
conhecido, amado, obedecido, então é fria, por mais quente que pareça o
ambiente. Você pode passar horas consumindo conteúdos que inflam a alma e, no
final, saber menos sobre Cristo e mais sobre homens, menos sobre a vontade de
Deus e mais sobre projetos pessoais travestidos de espiritualidade. Que o
Espírito Santo confronte o seu consumo “evangélico” e o transforme em
disciplina de ouvir aquilo que faz você conhecer, amar e seguir mais a Jesus.
Também é necessário abrir
os olhos para um perigo mais sutil: homens que promovem sectarismo em nome de
santidade. Gente que se vende como “remanescente” exclusivo, como se só eles
fossem a verdadeira igreja, e o restante do corpo de Cristo fosse descartável,
contaminado ou irrelevante. Esse espírito não é o Espírito de Cristo. A Palavra
mostra que o alvo do ministério dado por Deus à igreja é “até que todos
cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito,
à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:13). Quem ama a
Cristo ama o corpo de Cristo, ainda que discorde de práticas, ainda que corrija
erros; quem é de Deus não alimenta soberba espiritual, não cria um “nós”
puro contra “eles” impuros para se sentir especial. Fuja de qualquer
liderança que se fortalece diminuindo outros irmãos. Esteja perto de quem
trabalha para ver o corpo inteiro amadurecendo, e não um grupinho se sentindo
superior.
Por fim, é urgente vigiar
contra dois extremos que desfiguram o Evangelho: a libertinagem e
o legalismo. De um lado, há quem use a graça como licença para
viver sem arrependimento, chamando pecado de fraqueza e indulgência de
liberdade. Do outro lado, há quem acrescente ao Evangelho pesos que Cristo
nunca colocou, exigências que as Escrituras não fazem, códigos de conduta que
se tornam medida de espiritualidade. A Palavra diz claramente: “Portanto,
ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa,
ou da lua nova, ou dos sábados” (Colossenses 2:16). Quando alguém
começa a medir a sua salvação pelo seu cardápio, pela roupa que você veste,
pelos dias que você guarda ou pelos ritos que você cumpre, está empurrando você
para uma escravidão que Cristo já quebrou na cruz. Quando alguém diz que você é
livre para fazer o que Deus chama de impureza, está empurrando você para um
abismo que Cristo veio tirar você de dentro.
Que você cresça em discernimento, que ame a doutrina, que busque a Cristo acima de homens, e que não se deixe seduzir por brilho sem vida. O Senhor está levantando uma geração que prefere profundidade a aparência, compromisso a performance, cruz a aplausos. Deixe que a Palavra, e não a cultura religiosa do momento, julgue os homens que você segue, os púlpitos que você escuta e os caminhos que você trilha. E, se ao ouvir isso, o Espírito expõe em você fascínio por espetáculo, orgulho de “remanescente” ou apego a jugos que Cristo não colocou, não discuta com a voz de Deus: arrependa-se, volte-se para Jesus, e deixe que Ele seja, de fato, o centro da sua admiração, da sua teologia e da sua vida.
Pr. Rodrigo Deiró



Que assim seja
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