Cuidado com o falso profético


Imagem: kevron2001 by GettyImages.
 

Não se deixe encantar por aquilo que brilha aos olhos, mas por aquilo que resiste ao fogo. Há dons que impressionam multidões, mas caráter aprovado é o que sustenta um verdadeiro homem de Deus. Balaão profetizava com precisão, mas seu coração era torto e por isso foi reprovado. O Espírito Santo não chama a igreja para buscar quem impressiona pelo espetáculo, mas o Senhor nos chama a ouvir e seguir aqueles que, como Paulo, pode dizer com consciência limpa: “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1 Coríntios 11:1). Quem você admira hoje? Quem ocupa o seu ouvido e o seu coração? A pergunta não é “que dom essa pessoa tem?”, mas “que vida essa pessoa vive quando o púlpito está vazio, quando as câmeras estão desligadas, quando ninguém está vendo?”. O padrão não é a performance, é a semelhança com Cristo. Não admire quem fala bonito, admire quem vive o que prega.

Há uma geração que se acostumou a confundir profundidade com criatividade de palco. Trocadilhos bíblicos, frases de efeito, “revelações” cheias de jogo de palavras empolgam plateias, mas muitas vezes não passam de fumaça sem fogo santo, de som sem substância e que não edificam o espírito. Paulo chegou a Corinto, cidade vaidosa, cheia de retórica, e decidiu pregar não com “excelência de palavras ou de sabedoria humana”, mas com a simplicidade e a autoridade da cruz de Cristo (1 Coríntios 2:1). O que edifica o corpo não é o malabarismo textual, mas a exegese fiel, o ensino sólido, a exposição que honra o contexto, que exalta Cristo e que dobra a vontade do homem diante da autoridade das Escrituras. É tempo de se arrepender de ter tratado a Bíblia como palco para criatividade humana, e voltar a tratá-la como trono da voz de Deus.

Se o seu coração é sincero, invista tempo em ouvir aquilo que faz Cristo crescer diante dos seus olhos. Encha seus ouvidos e sua mente com mensagens que desvendem a glória do Filho de Deus, o mistério da Igreja, o escândalo da Cruz e a realidade do Reino. As Escrituras declaram que o testemunho de Jesus é o espírito de profecia (Apocalipse 19:10); se uma profecia, uma mensagem, uma ministração não desemboca em Cristo conhecido, amado, obedecido, então é fria, por mais quente que pareça o ambiente. Você pode passar horas consumindo conteúdos que inflam a alma e, no final, saber menos sobre Cristo e mais sobre homens, menos sobre a vontade de Deus e mais sobre projetos pessoais travestidos de espiritualidade. Que o Espírito Santo confronte o seu consumo “evangélico” e o transforme em disciplina de ouvir aquilo que faz você conhecer, amar e seguir mais a Jesus.

Também é necessário abrir os olhos para um perigo mais sutil: homens que promovem sectarismo em nome de santidade. Gente que se vende como “remanescente” exclusivo, como se só eles fossem a verdadeira igreja, e o restante do corpo de Cristo fosse descartável, contaminado ou irrelevante. Esse espírito não é o Espírito de Cristo. A Palavra mostra que o alvo do ministério dado por Deus à igreja é “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:13). Quem ama a Cristo ama o corpo de Cristo, ainda que discorde de práticas, ainda que corrija erros; quem é de Deus não alimenta soberba espiritual, não cria um “nós” puro contra “eles” impuros para se sentir especial. Fuja de qualquer liderança que se fortalece diminuindo outros irmãos. Esteja perto de quem trabalha para ver o corpo inteiro amadurecendo, e não um grupinho se sentindo superior.

Por fim, é urgente vigiar contra dois extremos que desfiguram o Evangelho: a libertinagem e o legalismo. De um lado, há quem use a graça como licença para viver sem arrependimento, chamando pecado de fraqueza e indulgência de liberdade. Do outro lado, há quem acrescente ao Evangelho pesos que Cristo nunca colocou, exigências que as Escrituras não fazem, códigos de conduta que se tornam medida de espiritualidade. A Palavra diz claramente: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados” (Colossenses 2:16). Quando alguém começa a medir a sua salvação pelo seu cardápio, pela roupa que você veste, pelos dias que você guarda ou pelos ritos que você cumpre, está empurrando você para uma escravidão que Cristo já quebrou na cruz. Quando alguém diz que você é livre para fazer o que Deus chama de impureza, está empurrando você para um abismo que Cristo veio tirar você de dentro.

Que você cresça em discernimento, que ame a doutrina, que busque a Cristo acima de homens, e que não se deixe seduzir por brilho sem vida. O Senhor está levantando uma geração que prefere profundidade a aparência, compromisso a performance, cruz a aplausos. Deixe que a Palavra, e não a cultura religiosa do momento, julgue os homens que você segue, os púlpitos que você escuta e os caminhos que você trilha. E, se ao ouvir isso, o Espírito expõe em você fascínio por espetáculo, orgulho de “remanescente” ou apego a jugos que Cristo não colocou, não discuta com a voz de Deus: arrependa-se, volte-se para Jesus, e deixe que Ele seja, de fato, o centro da sua admiração, da sua teologia e da sua vida.

Pr. Rodrigo Deiró

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